| Ainda na Turquia - Istambul
Texto e fotos de Carmem Sílvia de Almeida e Ana Maria D. Oliveira
Final de ano.
Corre-corre. Todo mundo dando e ganhando presentes.
Comércio agitado! Tudo parece uma reedição brasileira do Grande Bazar de Istambul.
Enorme e labiríntico, o Grande Bazar tem de tudo para todos. Grandes negócios podem ser feitos ali. É só ter paciência para procurar e pechinchar. E não há que se preocupar com o idioma. Para vender e comprar vale qualquer língua, do sânscrito ao gestual. Veja como Ana Maria se entendeu perfeitamente com esse vendedor de olhos turcos, aqueles que dão sorte...
Na verdade, nossas experiências com o lendário comércio turco começou já em Pasabagi, na já citada Capadócia.
Ali, logo no primeiro dia de viagem, já travamos relações com os insistentes vendedores turcos. Houve até um que nos deu uma medalhinha pelo simples prazer de colocá-la pessoalmente em nossos peitos... Desde os tempos mais remotos, os sultões já incentivavam o comércio construindo sólidos refúgios para os comerciantes itinerantes e seus animais. Eram os "caravanserais".
Como descreveu Affonso Romano de Sant'Anna em sua coluna do caderno Prosa & Verso do jornal O Globo de 7 de junho de 2003, A vida é um Caravançarai: "Caravançarai é o nome dado ao local onde as caravanas que atravessam o deserto param para se alojar temporariamente. E aí se encontram pessoas de várias tribos. Encontram-se e contam-se histórias. É quando a vida se assenta em si mesma e reduz-se ao essencial..."
Visitamos o caravançarai de Konia e pudemos sentir o peso da história que passou por ali dia após dias, desde o século XIII. E, com uma tradição assim tão sólida, os turcos não poderiam deixar de se mostrar comerciantes por excelência.
Aliando isso a outra tradição - os tapetes turcos - testemunhamos uma das mais eficientes formas de comércio que já se viu: a venda de tapetes artesanais aos turistas. Tudo organizadíssimo! Primeiro uma visita à "fábrica", onde se pode observar o processo de confecção dos tapetes.
Em seguida, acomodados em um grande salão e bebericando um vinho ou um chá - tudo à escolha do freguês e às custas do vendedor - tapetes e mais tapetes desfilam diante de nossos olhos admirados e de nossos ouvidos estarrecidos com os preços.
Imagine carregar um tapete desses pelo mundo afora, até chegar ao Brasil! Mas eles têm a solução: embalam e enviam para qualquer lugar do mundo. E tudo isso é explicado fluentemente, na língua do grupo visitante. Marketing perfeito! Essas fábricas, bem como outras, de jóias, que também visitamos, funcionam em regime de cooperativa e são patrocinadas pelo Estado. Com as guerras na região, os turistas estiveram sumidos. É hora de recomeçar. Assim, os mais humildes comerciantes das mais remotas cidadezinhas estão sempre a postos com seus produtos, artesanais ou industrializados, animais ou vegetais.
Enfim, vale tudo! ...
E o camelo, à espera de um turista que se aventurasse a subir às suas costas usando a escadinha para facilitar a escalada. E até a religião enseja o comércio.
Em Bursa, a alegre vendedora de terços turcos não se opôs a posar para a foto depois de ter vendido alguns badulaques ao grupo, nas proximidades da Yesil Türbe (Tumba Verde).
E mais! Artísticos mostruários sempre ajudam a vender mais, como é o caso dessas bancas no Bazar das Especiarias em Istambul: Olhando todo esse colorido, é impossível deixar de levar uma amostrinha pra casa. |