Toxoplasmose na gestação
Dra.Luciana Nobile

Toxoplasmose é a infecção aguda pelo protozoário Toxoplasmosis gondii ( T.gondii ). Quando a mãe apresenta a doença durante a gestação, o feto em geral é contaminado, determinando uma gama extensa de malformações.

Grávidas com toxoplasmose são geralmente assintomáticas ou têm apenas sintomas leves e inespecíficos, muitas vezes considerados como de um quadro viral qualquer, tal como um simples resfriado, dificultando o diagnóstico. Felizmente, sua ocorrência é rara.

Entretanto, devido à gravidade que a doença representa para o feto, alguns cuidados devem ser obedecidos, para que a mulher não se contamine durante a gravidez.

Não é nosso objetivo apresentar um texto completo da epidemiologia da toxoplasmose e tampouco sobre o seu diagnóstico ou tratamento, mas sim alertar para a existência dessa doença, potencialmente tão grave para o feto e ao mesmo tempo tão desconhecida.

Toxoplasmose congênita

É a infecção adquirida pelo concepto em sua vida intra-uterina, em sua vida fetal. Quanto mais precoce a gravidez, menor o risco de transmissão da doença da mãe para o feto. Mas pode provocar abortamento. Conforme avança o tempo de gravidez, aumenta gradualmente o risco de transmissão, com elevação paralela do risco de comprometimento fetal. Na 30ª semana, o risco de infecção fetal é cerca de 60%.

Dentro das alterações fetais possíveis, destaca-se o atraso no desenvolvimento neuro-psicomotor. A tríade clássica que sugere a toxoplasmose congênita é de corioretinite, calcificação intra-craniana e hidrocefalia.

Existem quatro possibilidades de apresentação clínica:

1 - doença neonatal sintomática, sendo a corioretinite o sintoma mais comum no recém-nascido;

2 - doença que se manifesta no primeiro mês de vida - de leve a grave;

3 - seqüela tardia na infância ou adolescência, de doença anterior que não tenha sido diagnosticada;

4 - infecção sub-clínica.

Como prevenir a toxoplasmose?

Diante de doença tão grave para o feto, o objetivo central é evitar a sua ocorrência. Isso é possível, desde que a grávida siga algumas orientações gerais:

1 - não manipular sem luvas e não comer carnes cruas ou mal passadas, de boi, frango, porco, carneiro ou qualquer outro animal de sangue quente (excluem-se, portanto, os peixes), que potencialmente podem transmitir o parasita da doença;

2 - verduras cruas têm que ser muito bem lavadas - então, melhor comê-las cozidas, pois também podem transmitir o parasita em sua forma infectante, assim como as frutas, se não forem lavadas antes do consumo;

3 - não entrar em contato com fezes de gatos, quando ressecadas, pois contém a forma infectante do parasita - não existem estudos definitivos sobre a maior incidência de toxoplasmose em donos de gatos;

4 - a forma infectante do Toxoplasma gondii pode estar em terra ou água contaminada, tornando a jardinagem (sem luvas) e atividades campestres com risco em potencial;

5 - não comer gema crua de ovo, que pode estar presente, por exemplo, na mousse de chocolate ou na maionese caseira.

Essas considerações são válidas apenas para as pacientes que nunca tiveram a doença, ou seja, não têm anticorpos para a toxoplasmose. Em mulheres que já tiveram contato com o parasita, a infecção congênita é improvável, a não ser em algumas circunstâncias específicas, como aquela em que a gestante é soropositivo para o vírus da AIDS (HIV), em que pode ocorrer nova manifestação de doença, que até então estava latente.

Para saber se a mulher já teve toxoplasmose, basta realizar testes sorológicos específicos em coleta de sangue.

A segunda maneira de se evitar a transmissão fetal da toxoplasmose é fazendo o diagnóstico precoce da doença na mãe e tratando-a com medicação específica. A rotina, em mulheres que nunca tiveram toxoplasmose, é a de submetê-las à avaliação sorológica mensal; se positivar, são então medicadas.

A freqüência de toxoplasmose congênita nos Estados Unidos é muito inferior àquela da Europa e possivelmente da nossa, devido a hábitos alimentares e de higiene. Então, lá não existe a recomendação de investigação da doença.

Dra. Luciana Nobile
E-mail: luciananobile@brevesdesaude.com.br

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