Menopausa, Climatério - Parte I
Dra.Luciana Nobile

A menopausa, que freqüentemente é evento tranqüilo na vida da mulher, pode também ser motivo de muitos transtornos. Devido à extensão do tema, dividirei em capítulos, nos diversos boletins. Nesse, trataremos de conceitos, menopausa natural e artificial, e da idade em que ocorre.

A menopausa é um dos principais eventos biológicos na vida da mulher, ocorrendo já em sua fase madura, acompanhada ou não de inúmeros comemorativos, que caracteriza o início de sua fase não conceptiva e, quem sabe, com o sexo agora voltado exclusivamente para o prazer.

Conceitos

Menopausa - é o termo utilizado para caracterizar a última menstruação natural da mulher. O diagnóstico é firmado após um ano sem menstruação. Podemos mascarar o quadro de menopausa quando instituímos tratamento hormonal à mulher: artificialmente, ela continua apresentando sangramento menstrual cíclico, simulando menstruações regulares, porém, sem ovulação.

Climatério - c ompreende um período variável, cerca de dois a cinco anos antes da menopausa e mais um ano após a última menstruação: é o período de transição na vida da mulher entre a sua fase reprodutiva e a perda da capacidade de reprodução, ou seja, os ovários já não conseguem liberar óvulos para a concepção, assim como principiam a reduzir a sua produção hormonal.

Apesar de ser essa a definição clássica de climatério, na verdade o período que antecede a menopausa não é nítido, podendo a mulher começar a ter algum sintoma característico, porém esporádico, muito tempo antes. E, por outro lado, apesar de terminar após um ano da menopausa, alguns dos sintomas característicos do período podem persistir por muitos anos.

Entre leigos, e por vezes mesmo entre médicos, usa-se popularmente as palavras menopausa e climatério indiscriminadamente, de maneira equivocada, como se tivessem o mesmo significado.

Menstruação - é a descamação cíclica do endométrio (tecido mucoso de revestimento interno do útero), acompanhada de sangramento. O padrão usual é de ciclos de 28 dias, variando entre 26 e 30 dias. Menos comum, porém, ainda podendo se encaixar dentro da normalidade, com ciclos ovulatórios, a menstruação pode descer entre 24 e 36 dias. O primeiro dia de sangramento é definido como o primeiro dia do ciclo menstrual e, o dia anterior à próxima menstruação, define-se como o último dia do ciclo. A duração da menstruação é geralmente de 4 a 6 dias, com uma perda média de 50ml de sangue.

Menarca - é a primeira menstruação da menina, que ocorre em média 2 anos após os primeiros sinais de puberdade (início do desenvolvimento mamário, pêlos pubianos, aceleração do crescimento). A idade média da menarca é de 12 anos, podendo ir de 10 a 15 anos. A partir desse momento a menina começa a ovular e, potencialmente, pode engravidar. Nos primeiros anos de menstruação, assim como no climatério, é maior a incidência de ciclos anovulatórios ( a menstruação ocorre, sem que exista ovulação).

Menacme - é o período de vida da mulher entre a menarca e a menopausa, entre a primeira e a última menstruação natural.

Menopausa natural e artificial (ou induzida)

A menopausa pode ser natural ou artificial. Natural é aquela espontânea, sem a intermediação de fatores externos. E é artificial quando decorrente de fatores extrínsecos, tais como:

- intervenção cirúrgica, com retirada dos ovários - também denominada de ooforectomia bilateral, que tem lá as suas indicações.

- comprometimento dos ovários em sua função secretora de hormônios, conseqüente à aplicação de radioterapia na pelve feminina ou ao uso de quimioterapia, métodos utilizados no tratamento de câncer.

Nessas circunstâncias, por mecanismos diferentes, a mulher deixa de menstruar.

Não é menopausa quando a menstruação é suspensa em virtude da histerectomia (retirada cirúrgica do útero). Nessa circunstância, em que não existe mais o parâmetro da menstruação, a falência ovariana é sugerida por sinais e sintomas e, na ausência desses, por dosagens dos hormônios no sangue.

Quando da retirada cirúrgica do útero, a menstruação não ocorre, mesmo mantendo-se os ovários, que são os responsáveis pela produção hormonal. Quando os ovários são mantidos, a mulher mantém as propriedades de ovulação e produção hormonal cíclica, se ainda na menacme. Entretanto, não existe mais o útero e o endométrio, ausentando-se então a menstruação.

A quimioterapia e a radioterapia da pelve determinam o comprometimento da função ovariana, à semelhança da menopausa, porém mais aguda e repentinamente, assim como na cirurgia de extração dos ovários.

Os sintomas decorrentes da menopausa são os mesmos, seja ela natural ou artificial. É só uma questão de aparecerem insidiosamente, como na natural, ou abruptamente, como na artificial.

Quando se procede exclusivamente à histerectomia, cessam as menstruações. A manutenção de um ovário é suficiente para suprir as necessidades hormonais da mulher, até o momento em que espontaneamente esse ovário comece a entrar em falência, caracterizando o período de climatério. Isso é denunciado pelo aparecimento de sinais e sintomas característicos outros, já que não existem mais os distúrbios menstruais ou, na ausência destes, pelas dosagens hormonais no sangue da mulher.

Idade da menopausa

Simplificando, a idade da menopausa situa-se em torno dos cinqüenta anos de idade: cerca de 25% das mulheres, antes dos quarenta e cinco, 50% entre quarenta e cinco e cinqüenta anos e os 25% restantes, após os cinqüenta.

É considerada precoce antes dos 35 ou 40 anos. Após os 55, é tardia.

Pensava-se que a idade em que ocorre a menopausa não seria afetada pelos seguintes fatores: idade da primeira menstruação, nível sócio-econômico e cultural, etnia e tampouco pelo consumo de álcool. Entretanto, alguns estudos tem relacionado a idade da menopausa com a paridade (número de filhos).

Em estudo epidemiológico realizado na cidade do México, a idade média de menopausa foi 47 anos e essa média foi inferior em mulheres sem educação formal, que não tiveram filhos ou nunca amamentaram, e naquelas que nunca tomaram pílulas contraceptivas hormonais.

Parece estar relacionada também com a idade da menopausa de familiares e, em fumantes, pode ocorrer mais cedo.

Com o aumento de nossa expectativa de vida, acredita-se que as mulheres vivam mais de um terço da vida após a menopausa. Considerando uma mulher com menopausa aos 40 anos e que viva até os 85, ela terá vivido mais de metade de sua vida menopausada.

Ilustração: telas de Manet, Museu D´Orsay, Paris.

Dra. Luciana Nobile
E-mail: luciananobile@brevesdesaude.com.br

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