Breves

Literatura impura
Textos selecionados por Renata Pallottini

Poucas vezes como na civilização clássica grega, a Beleza e a Harmonia foram tão cuidadosamente defendidas e exaltadas. Amantes da Lógica, no pensamento e na expressão, os gregos do período clássico expunham suas idéias com uma pureza de raciocínio que até hoje nos espanta. Não temiam a obviedade e se mostravam com alegria e otimismo, naturais em um povo cujos deuses eram apaixonados e humanos, nenhum deles sofredor ou pagando, numa cruz, pelos pecados alheios. Que, aliás, pouco preocupavam a esse povo guerreiro, artista e natural.

O helenista norte-americano Bernard Knox , no seu magnífico "Édipo em Tebas" (Ed. Perspectiva, SP, 2002) diz, por exemplo, referindo-se a textos de Sófocles, esta coisa linda sobre a Medicina:

A realização culminante do homem, na história do progresso humano esboçada na ode coral da Antígone, é a descoberta da arte da medicina - E DE MALES INCURÁVEIS ELE INVENTOU UM MEIO DE ESCAPE...

A medicina ocupa uma posição elevada na relação de invenções de Prometeu, o fundador mítico da civilização humana.

... Foi, de fato, uma das maiores realizações científicas da Grécia do século V. É nos escritos da Escola Hipocrática que encontramos as mais extraordinárias declarações da nova visão científica. Elas exibem um espírito empírico e uma confiança otimista que não serão vistos novamente na Europa ocidental até o século XIX d.C. "Muitas descobertas foram feitas e tudo o mais será descoberto" é a declaração extremamente confiante do autor do tratado DA ANTIGA MEDICINA (Hipócrates), um argumento em favor do método empírico e contra a importação das hipóteses filosóficas para a arte da medicina. "Esta doença", diz o autor do tratado "DA DOENÇA SAGRADA", "não é, na minha opinião, mais sagrada que as outras. Tem a mesma natureza, e, como elas, uma causa. É também curável". A enfermidade que ele acredita, com tanta confiança, que pode ser curada, é a epilepsia.

Renata Pallottini
Poeta e dramaturga, autora de "Um calafrio diário", poesia, ed. Perspectiva; "Dramaturgia de Televisão", ensaio, Ed.Moderna; "Ofícios e Amargura" , romance, Ed. Scipione; "As três Rainhas Magas", infantil, ed. Brasiliense, entre outros títulos.

Indicação de livro
Na sala com Danuza.2 - Danuza Leão (Editora ARX)

Leio muito porque gosto muito. Leio por passatempo, para adquirir conhecimentos, conhecer pessoas e estilos, é o que mais faço na vida. Com o tempo, um bom livro a gente conhece nas primeiras 30 páginas.

Juntando tudo: esse livro que indico é uma preciosidade. Por quê? Porque está muito difícil viver em sociedade. Não se trata de alta-sociedade, mas uns com os outros. O mundo se tornou menor, as notícias vêm pela internet ou pela TV, tudo se sabe e... a tendência é uma intimidade maior, que muitas vezes se torna insuportável. Daí a oportunidade do livro de Danuza Leão.

Não é um livro de boas maneiras, mas de bom senso. Para que a gente conviva sem agressões, sem invasões, numa coerência maior e mais feliz. A cada página, você pode se identificar ( Ah...já dei esse fora! ) ou suspirar ( Meu Deus! já passei por isso! ).

Viver com os outros é realmente um difícil exercício de boa vontade. O mundo está cheio de coisas novas, de pessoas muito diferentes, de novos estilos de vida. E a gente se equilibrando entre eles. Temos gays, ecologistas, mães solteiras, freqüentadores de academias e spas, os chatíssimos politicamente corretos, os metrossexuais, os sexo-sensíveis; os prodígios, os figurinhas, os que fazem regime permanente e resolvem ensinar a todo mundo, os que falam na própria família, os deprimidos, os que têm a verdade no bolso do casaco.

Então, adquirindo um pouco mais de segurança, a gente pode até ser mais tolerante, mais compreensiva e, o que a meu ver é o principal, menos agressivo. Por que não? Já que não estamos dispostos a viver reclusos, isolados e sozinhos, podemos sempre aprender a conviver melhor. Nesse ponto, Na sala com Danuza .2 , é absolutamente coerente.

E divertido.Boa leitura pra todas.

Ana Luiza Fonseca

Foto Escolhida
Lapinha
Texto e fotos de Dra. Luciana Nobile

Não devemos dizer que perdemos alguns quilos, quando estamos nos empenhando para isso, porque significa que podemos reencontrá-los! O ideal é dizer que deixamos os quilos, lá onde o regime foi realizado. Assim foi então, que deixei alguns quilinhos na Lapinha, a 90Km de Curitiba, onde passei uma semana.

A Lapinha é um spa alternativo, que se caracteriza por ser uma clínica de desintoxicação (sic), com alimentos orgânicos, dieta vegetariana. Eu pensava que fosse carnívora obsessiva, mas agüentei bem a nova situação.

O local é maravilhoso, pois está instalado numa fazenda com bosques, lago e muitas flores, espelhando sempre muito cuidado.

A piscina, religiosamente a 31-32ºC, foi bastante convidativa. Num dia fiquei quase 3 horas dentro da água, entre nadar, hidroginástica e vôlei, o que me fez lembrar os tempos de infância e adolescência.

O convívio com os demais hóspedes foi de camaradagem, conhecendo muita gente interessante e divertida.

Certamente também tinha algumas chatices, como a tal de restrição dietética, em que a gente tem que comer menos. Ainda, havia uma prece antes das refeições, que não faz parte de meu cotidiano.

Por falar em questões religiosas, lá perto tem um mosteiro de monges trapistas, que não podem falar, só cantar. Antigamente, cantavam em latim. Hoje cantam em português e confesso que não vi a menor graça em cantos gregorianos na língua pátria.

Dê uma espiada nas fotos, para ter uma idéia de como é o lugar.

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