| Não permita que as "seqüelas" da gravidez comprometam a sua beleza
Dra. Ana Lúcia Recio
Cuidados especiais com a pele
Mesmo que sua pele tenha até melhorado durante a gravidez, o que acontece com a maioria das mulheres, é possível que no pós-parto, com a readaptação do corpo ao seu estado não gestacional e à diminuição dos hormônios femininos, ela venha a apresentar muita oleosidade.
Existem vários recursos para resolver este e outros problemas, como o tratamento do melasma (ou cloasma gravídico), que são aquelas manchas acastanhadas que surgem durante a gestação, principalmente nas bochechas, mas podem aparecer também na testa, no queixo e dorso do nariz.
Durante o dia, em qualquer tipo de pele, o uso de filtro solar é indispensável, na medida em que protege contra o fotoenvelhecimento e atua como grande aliado no tratamento das manchas que surgirão durante o período gravídico. Lembrando que se deve usar um Fator de Proteção Solar (FPS) no mínimo 15 para o dia-a-dia.
O filtro solar deve ser de alto índice de proteção contra raios UVA e UVB e os produtos devem respeitar sempre o tipo de pele. Pele oleosa pede veículos em forma de gel e pele seca, em forma de creme. Se for ao clube, praia ou caminhadas com o bebê, use uma proteção também mecânica, ou seja, um chapéu com aba de pelo menos 7,5 cm, para proteger toda a face e otimizar a fotoproteção.
Logo após o parto o tratamento do melasma pode ser instituído sem restrições, pois as medicações usadas topicamente não comprometem o aleitamento. O uso de ácidos associados a clareadores à noite são um ótimo recurso, aliados também ao uso de vitamina C tópica, que também tem o poder de clarear a pele.
De forma geral, o uso de renovadores como ácido retinóico e seus derivados, ácido glicólico, firmadores (Dmae e similares, como tensine, argireline, entre outros) podem ser usados durante o aleitamento, alternando com hidratantes à noite e filtro solar pela manhã. Indica-se a limpeza e tonificação com produtos específicos para o tipo de pele em questão.
Aplicação de antibiótico tópico ou peróxido de benzoila em caso de espinhas. A limpeza de pele só precisa ser feita se o rosto apresentar cravos. Dar preferência sempre à emulsão oil free, gel ou gel creme. Não use cremes, que podem piorar ainda mais a pele oleosa, causando a acne cosmética por obstrução dos poros. Controle o peso para driblar as estrias Causadas por um estiramento excessivo da pele (que faz romper fibras colágenas e elásticas), elas surgem no final da gestação, geralmente nas últimas semanas. As áreas mais afetadas são o abdômen, as nádegas, a raiz das coxas, o quadril e as mamas. As estrias mamárias surgem principalmente na ocasião do aleitamento, quando o volume mamário aumenta muito. Em alguns casos, surgem durante a gestação.
O aumento do volume corpóreo é a causa determinante, mas a predisposição genética tem papel importante. Prova disso são os casos em que as estrias não aparecem mesmo com aumento significativo de peso.
Para evitar (ou diminuir) a ocorrência de estrias, é fundamental garantir, durante a gravidez, o aumento de peso de apenas 1 kg por mês e usar hidratante nas áreas de risco diariamente. Se essas medidas não surtirem resultado, após o parto procure uma clínica especializada.
O tratamento consiste em aplicação de ácido retinóico associado a peelings superficiais (a cada 15 ou 30 dias) e vitamina C injetada ao longo da estria para ajudar na recuperação da derme e na formação de novo colágeno. As sessões são semanais, com uso de anestésico local.
Na área das mamas, durante a amamentação, o tratamento com ácido retinóico fica de certa forma restrito, pois a pele fica mais sensível e a manipulação da área é freqüente, o que pode causar uma irritação no local. No entanto, o tratamento das estrias no quadril pode ser feito sem problemas para o bebê.
Dê um jeito na flacidez
Causada pela distensão do abdômen e das mamas, essa outra "seqüela" da gravidez varia de pessoa para pessoa, podendo ser mais acentuada se a mulher já apresentava flacidez da pele. A recuperação ocorre progressivamente ao longo de seis meses (tempo necessário para o organismo voltar ao normal). Ginástica localizada para fortalecer a musculatura melhora o aspecto cutâneo do abdômen e também dos seios.
Mas, se eles forem muito volumosos, não voltarão à forma anterior. A cirurgia plástica é um recurso que pode ser indicado para as duas áreas. Uma novidade é o uso de energia de radiofreqüência em algumas áreas com flacidez. Também chamado de Thermacool, o método trabalha no sentido de encolher as fibras e estimular o surgimento de novas. O Thermacool é realizado em uma sessão e com anestesia local. Varizes, uma questão de circulação Na gravidez, a compressão exercida pelo volume abdominal, dificultando o retorno venoso, é o fator que desencadeia as antiestéticas (e muitas vezes doloridas) varizes - e, se já existe uma predisposição genética, o problema tende a aumentar a cada gestação. Uma medida benéfica é a atividade física com trabalho aeróbico, que fortalece os músculos dos membros inferiores e facilita o bombeamento dos vasos sanguíneos.
Você pode também considerar a possibilidade de cirurgia, alguns meses depois do parto, especialmente se não planeja ter mais filhos. Combata a gordura localizada e a celulite Mais comum no quadril, na cintura e na coxa, a gordura localizada também vai desaparecendo à medida que a mulher perde peso ao longo dos seis meses pós-parto. Para ajudar nesse processo, é importante exercer atividade física (localizada e aeróbica), fazer alimentação balanceada e fracionada ao longo do dia e beber muita água (2 litros).
São muito úteis também uma ou duas sessões por semana de drenagem linfática, pois ela vai impedir a estagnação de líquidos, o que piora a micro-circulação local, gerando a celulite.
Dra. Ana Lúcia Récio
Dermatologista, membro da Sociedade Brasileira de Cirurgia Dermatológica, da Academia Americana de Dermatologia e membro-fundadora da Sociedade Brasileira de Laser e Cirurgia.
Tel. (11) 3845-2056
Site: www.analuciarecio.com.br
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