| Breves Literatura impura
Textos selecionados por Renata Pallottini JUNQUEIRA FREIRE nasceu e morreu na Bahia, entre 1832 e 1855; mais uma vida breve, portanto, dentre os poetas românticos. Começou e abandonou a vida monástica e não
conseguiu encontrar seu caminho em vida. O poema "Louco", de que reproduzimos parte, nos dá algumas indicações sobre o seu pensamento: Louco
Não, não é louco. O espírito somente
é que quebrou-lhe um elo da matéria.
Pensa melhor que vós , pensa mais livre,
aproxima-se mais à essência etérea.
Agora está mais livre. Algum atilho
soltou-se-lhe do nó da inteligência.
Quebrou-se o anel dessa prisão de carne
entrou agora em sua própria essência.
E vós, almas terrenas, que a matéria
ou sufocou, ou reduziu a pouco,
não lhe entendeis, por isso, as frases santas,
e zombando o chamais, portanto: um louco !
Não, não é louco. O espírito somente
é que quebrou-lhe um elo da matéria.
Pensa melhor que vós, pensa mais livre,
aproxima-se mais à essência etérea.
Renata traduzida no Império
Estou feliz e orgulhosa de minha amiga Renata.
A editora norte-americana Host Publications acaba de imprimir a coletânea de poemas de Renata Pallottini Renata & other poems, com tradução de K. David Jackson, em Austin, Texas. A Host Publications tem como lema Literature from around the world, o que nos traz boas esperanças para a difusão dos nossos escritores. Dra. Luciana Nobile, editora  Indicação de livro
"Perscrutando o papaia" de Rita Moreira - editora Brasiliense Abaixo, a sinopse da Editora. Porém, não consigo passar sem declarar que Rita, hiperativa desde a infância, considerada menina prodígio, eu não conheci. Porém, a Rita de hoje, mais madura, budista, alegre, tranqüila, a que tenho oportunidade de usufruir a amizade, tem criatividade, vivacidade e sagacidade excepcionais. Que ela continue escrevendo poemas tão vivos e inteligentes, para nos proporcionar maior encanto. (Dra.Luciana Nobile)
Sinopse
Saudada como poeta "genial" por Menotti Del Picchia já nos anos 60, Rita Moreira trocou seus leitores por espectadores e acumulou alguns prêmios como videomaker até que, nestes anos 90, a poesia se intrometeu de novo. Perscrutando o Papaia prova que ela continua a mesma, ainda que mudada.
A mesma: dicção única, concisão, ironia. Destoando de um mau hábito destas plagas - onde se mede a seriedade dos poetas pelo tédio que suas abstrusas sintaxes provocam no leitor - ,os poemas de Rita são transparentes, fluentes, têm metro e música. Vivem de ser poemas, não manifestos literários.
E no que o poeta mudou? Maturidade e leveza. O humor - riso leve ou risada aberta - abrandou a brusquidão e secura das coisas.
Perscrutando o Papaia é uma espécie de volta da poeta a si mesma, brilhante, imoderada e serena. (do prefácio, por Marília Pacheco Fiorillo)
 Poemas
Selecionados de Rita Moreira
Aceite este email de delfos
(para moças que temem enlouquecer)
Às vezes faço pesquisa,
muitas vezes não precisa,
a coisa já vem direto:
de Delfos, do Akasha,
do fundo da xícara,
do excesso do cântaro,
do mosto no púcaro...
e existe quem acha
que está transparente
já dentro da gente,
e cai, de repente,
do alto, do teto!
O fato é que eu sei.
Que trago notícias
reais, vitalícias,
do Centro, da Lei.
Se os teus cabeloscompridos
sobre os sensíveis ouvidos
te protegem de escutar,
leia na minha boca
esta informação urgente:
você não vai ficar louca,
nunca vai ficar demente
mais do que é, atualmente.
O melhor é aceitar.
Acima da solidão,
da estranheza e do espanto
envolve-te um certo manto,
certa força diligente.
No meio do teu embate,
na hora da dor, do frege,
um cachorrinho que late -
teu próprio deus te protege!
O que tens na tua frente
é só a tua própria vida,
inteira, ampla, despida,
pronta para ser tocada.
Como uma vaca malhada,
uma música dolente,
uma virgem conquistada
pelo Príncipe Valente.
Tome tento, fique fria,
encare, enfrente a sinuca:
mergulhar, que desafio,
sem ver o fundo do rio!
Mais fácil talvez seria
de uma vez ficar maluca...
Como temer
Oh, Dickinson!
Como temer fantasmas
externos - e vilões -
se quando a noite cai
é dentro,
dentro da cabeça
que brotam
tubarões.
Rita Moreira |