Pressão Alta
Dr. José Eugênio Francisco

A "pressão alta", chamada de Hipertensão Arterial Sistêmica (HAS) na linguagem médica, é um problema de saúde muito freqüente e pode acarretar diversas complicações se não for bem tratada.

Acredita-se que ela esteja presente em 15% dos adultos. É bastante "democrática", acometendo ricos ou pobres, homens ou mulheres, gordos ou magros, negros ou brancos, com algumas "preferências" nesses grupos. Os obesos têm maior probabilidade de desenvolver HAS e esta, nos negros, costuma ser mais severa.

O que é a pressão alta?

O coração funciona como uma "bomba", enviando o sangue oxigenado nos pulmões para o corpo todo, através de um sistema de canais chamado de artérias (de vários tamanhos/calibres). Para fazer com que todos os órgãos recebam oxigênio, ele precisa impulsionar o sangue contra a parede das artérias e essa pressão assim criada é chamada de pressão arterial . Quando ela está aumentada, a pessoa tem Pressão Alta ou Hipertensão Arterial.

Qual a causa da pressão alta?

Geralmente, a causa é "de família", sendo comum que pessoas que tenham pais ou parentes próximos com Hipertensão Arterial também possam desenvolvê-la. Existem dois tipos de hipertensão: primária e secundária.

A Hipertensão Primária é aquela cuja causa ainda não é conhecida pelos médicos, porém é a mais freqüente (90% dos casos).

A Secundária, que representa os 10% restantes, é causada por problemas renais, doenças na artéria aorta e alguns tumores ou doenças endocrinológicas.

Como saber se tenho pressão alta?

Para saber, é preciso medir. Na medida, são observados dois valores: a pressão sistólica (ou máxima) e a pressão diastólica (ou mínima). Os números, obtidos através de um aparelho chamado esfigmomanômetro, variam durante o dia, portanto uma única medida de pressão geralmente não é suficiente para fazer o diagnóstico de pressão alta.

Os valores considerados normais são até 14 (ou 140 mmHg) para a pressão sistólica e até 9 (ou 90 mmHg) para a pressão diastólica. Acima desses valores, é necessário haver acompanhamento médico.

Existe uma tendência a se pretender uma PA ainda mais baixa, que seria mais conveniente, com melhor prognóstico do indivíduo e uma tendência a se individualizar a conduta. (vide as recomendações de "IV Diretrizes de Hipertensão arterial da Sociedade Brasileira de Cardiologia" - 2004).

IV Diretrizes de Hipertensão Arterial da Sociedade Brasileira de Cardiologia ( 2004 )

Classificação da pressão arterial (>18 anos) e recomendações para seguimento com prazos máximos, modificados de acordo com a condição clínica do paciente.

Classificação Sistólica Diastólica Seguimento
Ótima < 120 < 80 Reavaliar em 1 ano
Normal < 130 < 85 Reavaliar em 1 ano
Limítrofe 130-139 85-89 Reavaliar em 6 meses*

Hipertensão

Classificação Sistólica Diastólica Seguimento
Estágio 1 (leve) 140-159 90-99 Confirmar em 2 meses*
Estágio 2 (moderado) 160-179 100-109 Confirmar em 1 mês *
Estágio 3 (grave) > 180 > 110 Intervenção imediata ou
reavaliar em 1 semana*
Sistólica isolada > 140 < 90

*Quando a sistólica e diastólica estão em categorias diferentes, classificar pela maior.

Considerar intervenção de acordo com fatores de risco maiores, co-morbidades.

Quais são os sintomas?

Infelizmente, grande parte das pessoas que apresentam Hipertensão Arterial desconhecem que sofrem dessa doença, pois nada sentem. Algumas vezes ficam sabendo que são portadoras dela após sofrerem alguma das complicações mais comuns, como o derrame cerebral, o infarto do miocárdio ou problemas renais.

Quais as complicações?

A pressão alta não controlada pode provocar danos nas paredes das artérias do corpo, fazendo com que elas fiquem obstruídas (estreitadas). O "estreitamento" facilita a ocorrência de trombose (entupimento) dessas artérias. A trombose, quando ocorre no cérebro, causa o Acidente Vascular Cerebral Isquêmico (Derrame Cerebral); quando acontece no coração, ocasiona o Infarto do Miocárdio.

Além disso, a Hipertensão Arterial pode levar a pessoa a apresentar problemas nos rins, nos olhos (alteração da retina), nas pernas (dor nas pernas ao caminhar) e insuficiência cardíaca (diminuição da força de contração do coração), afora os quadros de sangramento, que podem ocorrer em qualquer vaso sangüíneo do corpo, nos picos hipertensivos. Por exemplo, sangramento por rompimento de artérias cerebrais, provocando o Acidente Vascular Cerebral Hemorrágico, também denominado de derrame.

Como é feito o tratamento?

Existem duas maneiras de fazer o tratamento: medicamentoso (com remédios) e o não-medicamentoso.

•  O médico é o profissional indicado para decidir qual o tipo e a dose de medicamento indicado para cada caso.

•  Além de remédio, algumas outras medidas são fundamentais para êxito no controle da pressão alta.

•  Perder peso é muito importante. A diminuição de 5% do peso já é suficiente para reduzir os valores da pressão alta.

•  Diminuir o consumo de sal. Em média, os brasileiros ingerem cerca de 10 gramas de sal por dia (em torno de 4 colheres de café cheias). Para algumas pessoas, o sal pode ajudar a aumentar a pressão arterial; para outras, não. É recomendável que a ingestão não ultrapasse 5 gramas por dia (cerca de 2 colheres de café cheias).

•  Beber moderadamente. O que é isso? No máximo uma cerveja ou meia garrafa de vinho ou uma dose de destilados (uísque, vodca ou pinga) por dia. É importante lembrar que o álcool pode levar ao vício, diminui os reflexos ao dirigir e causa lesões no fígado, no pâncreas, no cérebro e no coração.

•  Fazer exercícios. Sempre devem ser feitos com orientação médica. O melhor é a caminhada, realizada durante 45 a 60 minutos, de 3 a 5 vezes por semana.

•  Diminuir a quantidade ingerida de gorduras. O colesterol aumentado é um grande causador de entupimento de artérias e de suas conseqüências.

•  Parar de fumar é um desafio que deve ser encarado com seriedade. Além de causar câncer de pulmão, o fumo provoca entupimento nas artérias do coração, ocasionando Infarto. Hoje, os médicos dispõem de recursos para ajudar as pessoas a deixar esse vício.

Dicas úteis

A Hipertensão Arterial é uma doença que não tem cura. Porém, existe tratamento e precisa ser bem acompanhada para evitar as complicações. Ela pode eventualmente ser curada, quando é secundária.

Não se deve deixar de tomar os medicamentos sem orientação do médico. É comum o fato de, quando a pressão alta está controlada, a pessoa deixar de tomar o medicamento por imaginar que esteja curada. Isso faz com que a pressão volte novamente a ficar alta com todas suas conseqüências sérias.

Dr. José Eugênio Francisco
Formado em 1978 na Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo.
Residência em Cardiologia no INCOR - HC - FMUSP - 1980 a 1983
Cardiologista do Hospital Sírio Libanês desde 1982
Telefone do consultório: 3214 1453
E-mail: j_eugenio@uol.com.br

 

E-mail: luciananobile@brevesdesaude.com.br
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