Pele: saúde e beleza
Profa. Dra. Cídia Vasconcellos

As pessoas têm características distintas de pele e muitas vezes usamos produtos dermatológicos sem saber o que pretendemos e o que estamos provocando em nossa própria pele. Nosso objetivo no momento não é discutir qual o creme mais adequado para cada tipo, mas sim apresentar o manto ácido ou manto hidrolipídico, essa camada protetora que reveste toda a superfície de nosso corpo e que deve ser protegida.

Este manto tem a função de ser uma barreira de proteção em relação à penetração de microorganismos (fungos, bactérias, vírus, etc) ou ao ataque de agentes externos (poluição, vento, calor, radiação solar, etc). Funciona ainda como uma emulsão hidratante natural da pele, protegendo-a contra a evaporação excessiva de água.

Diariamente as glândulas sebáceas produzem cerca de 2 gramas de gordura e as glândulas sudoríparas secretam de 250 a 500 centímetros cúbicos de água, sob a forma de suor. Desta maneira se forma e se mantém o chamado manto hidrolipídico (gordura + água) na superfície cutânea.

Nós não nascemos com este manto já formado e nem ele é um dado constante em nossas vidas, dependendo a sua integridade de vários fatores.

Idade

A pele do recém-nascido tem a sua função primária de proteção limitada, na medida em que a camada córnea, que é a mais superficial da pele, constituída pelas células que logo irão descamar, não está completamente desenvolvida, trazendo como conseqüência maior risco de instabilidade térmica, de absorção de substâncias aplicadas na pele e maior risco de infecções.

Após a adolescência, a pele do adulto alcança a sua capacidade máxima de proteção, enquanto que a do idoso se torna mais fina e frágil, com diminuição de sua função de barreira física e imunológica. Essa barreira física, como podemos compreender quase que intuitivamente, é a de um escudo contra radiações, poeira, etc. O que algumas pessoas não sabem é que esta interface do nosso organismo com o meio ambiente é composta por vários tipos de células e, entre elas, as que nos protegem de infecções bacterianas ou virais, dando-lhe o caráter de barreira imunológica.

O número e o tamanho das glândulas sebáceas e a espessura da camada córnea variam de acordo com a região do corpo e com o sexo, alterando ligeiramente a acidez da pele e as condições locais de resistência cutânea.

Existe certa determinação genética no funcionamento das glândulas sebáceas e sudoríparas: em geral, peles claras fabricam pequena quantidade de sebo e, por isso, costumam ser secas.

O ideal para uma boa saúde nutricional, entre outras coisas, é que o organismo absorva 2 litros de água ao dia, o que se consegue bebendo água, evitando-se excesso de alimentos gordurosos ou de bebidas alcoólicas e dando-se preferência à ingestão de frutas, verduras e legumes.

Condições de saúde

O estado geral de saúde irá interferir na manutenção da acidez normal da pele não apenas pela interferência de certas doenças, que causam lesões cutâneas, mas também pela ação sobre a pele de alguns medicamentos usados no tratamento destas doenças.

A saúde da própria pele e o uso de medicações locais poderão facilitar a penetração no nosso organismo de agentes patogênicos ou agressores.


A saúde psíquica, interferindo na auto-estima e na imagem que cada um tem de si, levará a um cuidado mais ou menos adequado do próprio corpo, não podendo a pele, sendo sua manifestação mais externa, deixar de ser influenciada pelo grau destes cuidados.

Condições ambientais

A ação das baixas temperaturas do inverno resulta no esfriamento da pele, o que pode causar distúrbios da circulação. Nessa época do ano também são mais usuais os banhos quentes e demorados, com o conseqüente ressecamento e destruição do manto lipídico protetor.

A baixa umidade relativa do ar (tal como nos ambientes com ar refrigerado), o vento em excesso e as mudanças bruscas de temperatura podem desidratar a pele. Neste caso, estará faltando água ou gordura (ou os dois) no seu organismo.

Hábitos de vida

A higiene visa à remoção do excesso de nossas secreções fisiológicas (tais como o suor e a gordura), das partículas suspensas no ar que se depositam em nossa pele, de partículas de nossas roupas ou de maquiagens utilizadas e não a provocar ressecamento ou a alterar o pH cutâneo.

O uso excessivo de sabões e detergentes constitui-se na causa mais comum, em nosso meio, do ressecamento cutâneo e conseqüente perda da acidez.

A beleza da pele, representada pela elasticidade, suavidade e textura, está diretamente relacionada ao teor de umidade do extrato córneo (camada mais superficial) e à sua higidez, que depende em muito da manutenção da acidez. Já há 2 mil anos, as mulheres celtas e romanas usavam uma espécie de meio hidratante feito à base de leite de cabra, que é fonte de cálcio, fósforo e de vitaminas A e D, além de possuir micro moléculas de gorduras facilmente incorporáveis à pele, recompondo a camada oleosa e natural.

Desde daquela época, a tecnologia se desenvolveu e as mulheres do século XXI têm a seu favor uma diversidade de produtos voltados especificamente para corrigir os mais diferentes problemas de pele. De modo geral, os cremes hidratantes são umectantes, oclusivos, à base de matrizes hidrofílicas ou emolientes. Porém, o que eles não fazem, é fornecer água para a pele, mas tão somente impedir que a água se evapore e/ou atrair água para a superfície cutânea, também denominada de cútis.

Como vimos, alguns fatores inerentes ao nosso organismo ou à nossa vida neste planeta interferem direta ou indiretamente na manutenção do pH ácido da pele. Entretanto, outros fatores podem ser controlados através de medidas relativamente simples:

Podemos tomar banhos curtos, mantendo a temperatura morna, evitar o uso de buchas para esfregar a pele, podemos usar luvas de borracha ao utilizar produtos de limpeza e podemos beber água, muita água.

Além disso, podemos e devemos buscar diagnósticos e tratamentos precoces de nossas doenças, de forma a pelo menos minimizar os seus possíveis efeitos deletérios sobre a pele.

Profa. Dra. Cídia Vasconcellos
Mestre em Dermatologia, doutora em Patologia, pós-doutorado em Medicina Preventiva, todos na Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo Médica Pesquisadora do Laboratório de Micologia do Instituto de Medicina Tropical de São Paulo (LIM54), médica encarregada da enfermaria do Serviço de Dermatologia do IAMSPE e consultório em São Paulo, SP.
E-mail: cidiav@usp.br

E-mail: luciananobile@brevesdesaude.com.br
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